Coord.: Milton Nuevo

Canguilhem e Politzer - do fato patológico ao fato psicológico

Data do primeiro encontro: 26 de janeiro de 2021

Quando acontece: terças-feiras, quinzenalmente, das 20h às 22h

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Sim! Os encontros são abertos e para participar basta acessar a videoconferência pelo celular ou computador. Mas como se trata de uma leitura em sequência, pegar o bonde andando implica ter perdido parte da discussão. Sugerimos sempre a leitura prévia do(s) texto(s) que estivermos trabalhando.
O(s) texto(s) está sempre disponível logo abaixo nesta página.

EMENTA:

 Faremos a leitura de duas obras: "O Normal e o Patológico" de Canguilhem e, na sequência, "Crítica dos Fundamentos da Psicologia - a psicologia e a psicanálise" de Politzer.

Com Canguilhem, procuraremos estabelecer o que permite dizer que estamos diante de um fato patológico. Uma pesquisa fundamental e válida para qualquer clínica, seja ela médica, psicológica ou psicanalítica. Canguilhem foi um célebre pensador do século XX e que teve forte influência não apenas sobre a obra de Foucault mas sobre o todo o pensamento clínico orientado criticamente. Sua obra como um todo põe em xeque a empreitada positivista que procura definir a vida por meio de leis e constantes físico-químicas. Em "O Normal e o Patológico" faz um largo estudo do modo pelo qual a medicina científica procura produzir uma definição positiva (afirmativa) do que seria saúde, que até então era definida apenas negativamente como ausência de doença. Nesse percurso traz um exame pormenorizado dos problemas epistemológicos de um modelo de medicina tecno-científica que embasa as mais atuais práticas de ensino, pesquisa e tratamento em saúde.

Com ele, poderemos colocar em questão a partir de quais parâmetros podemos definir algum acontecimento clínico como saudável ou patológico e quais as consequências políticas de tais definições. 

 

Em seguida, com Politzer, poderemos pensar sobre o que permite dizer que um fato é da ordem do psicológico. Diretriz fundamental para qualquer prática clínica que se debruce sobre o sofrimento psíquico. Politzer foi um dos críticos mais ferrenhos da psicologia enquanto ciência, não no sentido de constituir uma anti-psicologia, mas de cobrar uma consistência científica que a psicologia até hoje tem dificuldade de produzir. Para Politzer a psicologia existente, a que ele chamou de clássica e entendeu como abstrata, deveria literalmente deixar de existir para dar lugar a uma psicologia concreta, efetivamente científica, que se ocupasse do homem concreto - e não de um modelo abstrato de homem, construído pela ciência positivista. Nessa direção, vê a psicanálise freudiana como aquela que tocou de maneira mais próxima essa possibilidade, embora não livre Freud de severas críticas. Esse autor, de precisão e assertividade inigualáveis foi uma das mais importantes influências do próprio Lacan em seu retorno a Freud. De certo modo podemos até mesmo dizer que Lacan faz seu retorno a Freud por um viés politzeriano.

A aposta aqui é que essas duas obras, constituem leitura obrigatória na formação de psicanalistas. Mas também constituem leitura fundamental para qualquer um que busque pensar os problemas da prática clínica e da pesquisa científica no campo da saúde.

Próximo encontro:
27 de julho de 2021

Para acessar o encontro 

*A sala de videoconferência só é aberta no dia e horário marcados. Não será possível acessar caso tente entrar fora da data e horários estabelecidos
O texto do próximo encontro é: 
Páginas 88 a 101
 de 'A Crítica dos Fundamentos da Psicologia'. Leia abaixo:
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